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BOLETIM TRIMESTRAL - Jan, Fev, Mar/2000

Ano 4
Comissão Editorial: Helena Maffei Cruz, Rosana Galina e Rose Nahas
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Editorial
Rosana Galina
Começamos 2008! A sensação de começo é sempre revigorante e ao mesmo tempo delineia preocupação. É a oportunidade de realizarmos o que aspiramos e ao mesmo tempo a revisão do tempo espaço para a realização. Nesse clima vou pensando o nosso editorial. Mais uma vez tenho a oportunidade de conversar com cada um de vocês e dizer que a APTF vai cumprindo o seu papel. Nesse último semestre da gestão ParticipAção a constatação é de que não falta para o grupo diretor muito gás e criatividade para a Ação proposta em seu plano de trabalho. Nesse Boletim, iniciando a sua construção, temos Gilda Montoro que falando de seu lugar de presidente, convida-nos a participar de um evento que trará o primeiro fruto do grupo de trabalho AmpliAR: o Simpósio Ampliando Ações e redes em contextos de vulnerabilidade psicossocial. A proposta concretiza a promessa feita por Gilda, em nosso último Boletim, de que no último semestre de sua gestão o foco seria no trabalhador social e nas diferentes políticas públicas. Fica o convite nesse editorial para divulgarmos e nos encontrarmos no Simpósio ampliando cada vez mais o curioso e aberto olhar do terapeuta familiar. Abrindo a Sessão de Artigos Valéria Meirelles, nossa charmosa colega de diferentes contextos, nos traz a presença do novo, a partir do olhar para a “Psicologia Econômica e Interfaces com a Terapia Familiar”. Informa que a Economia influencia a vida das pessoas (sentimentos e emoções) nos atos de comprar, poupar, investir, pagar impostos, presentear e outras tantas atitudes que regem o nosso dia a dia. Acompanhando as páginas do Boletim nos encontramos com Ângela Herrera, nossa assídua colaboradora, que fala do “Objeto de amor estragado; o nascer em um lugar errado ou o preencher do vazio dos cônjuges indiferenciados”. Ângela desenvolve o tema apoiada em diferentes referenciais e nos convida a uma profunda reflexão. Grata Ângela. Maria Tereza Andriollo Muzardo nos presenteia com um ensaio sobre “Paixão e Amor entre Casais”, trazendo algumas informações do tipo: Paixão, esse sentimento avassalador acaba geralmente depois de 18 meses para os homens e 36 meses pra as mulheres. Vocês acreditam? E concluindo esse espaço de convite a reflexão encontramos as palavras de Maria Luiza Dias Garcia, que nos conta de descobertas feitas na convivência com a nossa diretoria da APTF e faz uma interessante e breve contextualização das abordagens psicanalítica e sistêmica no trabalho com famílias. No Acontece na APTF contamos com nossa querida Maria Genoveva Armelin, coordenadora da Rede de Atendimento Voluntário – RAV, que nos chama à ParticipAção nesse último semestre de trabalho dessa diretoria. O GEV nos atualiza em informações quanto ao seu assertivo caminho. Em seguida, o depoimento de Marisa Micheloti que após assistir aos três eventos da A Informação vem da Diferença, nos enriquece com sua análise clara, objetiva e inclusiva trazendo o seu e nosso maior ganho: a APTF, com os Eventos, nos aproximou de diferentes fronteiras ampliando possibilidades para o nosso processo de criação. Muito grata Marisa! Finalizando esse espaço, Rosa Maria Macedo, com sua sempre atualizada e marcante presença, reforça o cenário da Terapia Familiar, trazendo informações sobre o XVI Congresso da IFTA (International Family Therapy). Entre no site e conheça a participação do Brasil nesse Evento! Introduzindo um tema fora de nossa atuação cotidiana apresentamos o Balanço Patrimonial do ano de 2007 realizado pelo nosso tesoureiro Ruy de Mathis que amplia a visão da nossa querida APTF. Seguindo nosso Boletim o Espaço Cultural inicia com Denise Gomes nos sensibilizando com a poesia “No Deserto de Itabira” mais um momento de encantamento dentro de uma escrita leve e coerente. A seguir a poesia “Minha Criança Chora” de Mercedes Canassa Serafim reflete sobre o nosso cotidiano. Concluindo esse espaço Neli Caccozzi nos leva a pensar, escrevendo de forma instigante sobre Ano Novo...Família Nova. No Cantinho da ABRATEF temos as palavras do nosso presidente Luiz Carlos Osório, informando e convidando à participação no VIII Congresso Brasileiro de Terapia Familiar – ABRATEF. Vamos fazer nossa inscrição e levar o nosso pensamento pelo Brasil. Finalmente, não deixe de ler Nossa Agenda. E, acreditando que você terá momentos muito agradáveis na leitura desse veículo de comunicação, me despeço com um carinhoso até breve! Boa Leitura.

Rosana Galina
Comissão Editorial
 
Psicologia Econômica e Interfaces com a Terapia Familiar
Valéria Meirelles*
Psicologia Econômica, você já ouviu falar?

A Psicologia Econômica, embora pouco conhecida no Brasil, tem sua origem em 1881, quando o francês Gabriel Tarde utilizou pela primeira vez o termo. De acordo com Ferreira, 2007, p.7 “ A disciplina nasce da necessidade, identificada pelos pensadores sociais, economistas e psicólogos, de acrescentar um enfoque mais abrangente à Economia, que não daria conta de explicar suficiente e apropriadamente os fenômenos econômicos, sempre tingidos pela participação humana e, conseqüentemente, pelas limitações, bem como por movimentos, por vezes inesperados, que lhe são inerentes”. Desde então, a Psicologia Econômica começou a ser estudada nos países europeus e nos Estados Unidos, bem como países asiáticos, Austrália e mais recentemente na América Latina.

Acumula Prêmios Nobel, um a Herbert Simon, em 1978, por sua teoria da racio-nalidade limi-tada e outro em 2002, Daniel Kahneman, que desenvolveu pesquisas sobre incerteza e risco e a Vernon Smith, por seus trabalhos em Economia Experimental – este não está diretamente ligado à Psic. Econômica. Atualmente há na Universidade de Exeter, no Reino Unido, e na Universidade de Tilburg, na Holanda, Mestrado em Psicologia Econômica, reconhecidos inter-nacionalmente.

Há também periódicos importan-tes na área, a começar pelo Journal of Economic Psychology que favorece a troca de informações de pesquisas e a principal associação, IAREP ( International Association for Research in Economic Psychology), que realiza anualmente um congresso.

No Brasil, além de Alice Moreira, professora aposentada da Universidade Federal do Pará e pioneira no assunto, Vera Rita de Mello Ferreira, psicóloga, psicanalista, com mestrado e doutorado em Psicologia Social, estuda há 13 anos temas voltados à Psicologia Econômica. Sua tese de doutorado, defendida em 2007: Psicologia Econômica: origens,modelos e propostas , tornou-se referência à história da Psicologia Econômica.

A respeito da formação, de acordo com Ferreira, op. cit, a disciplina – Psicologia Econômica é oferecida na gra-duação em diversas partes do mundo e no Brasil, um curso breve na área de Pós- graduação na PUC/SP. Cumpre ressaltar que é um campo que acolhe inúmeras áreas além da Economia e Psicologia, como por exemplo, Marketing, Direito, Contabilidade, Sociologia, Pedagogia, Adminis-tração, especialistas em meio ambiente e também na proteção ao consumidor.

Algumas das funções da Psicologia Econômica envolvem levar informações simples e acessíveis de Economia à população, através da consciência das escolhas e dar instrumentos ao cidadão para que tenha mais poder ao tomar suas decisões. De acordo com Ferreira, op.cit, p. 243: “É nossa proposta que a Psicologia Econômica deveria servir, em sua essência, à emancipação. Neste caso, quanto maior consciência a sociedade puder ter sobre como opera – psíquica e economicamente – de mais condições disporá para apropriar-se de suas decisões e realizar escolhas. Isto significa esco-lher com mais propriedade, desde o cotidiano (...) até o tipo de política econômica (sobre tributação, aposentadoria, taxas de juros, etc). Ou seja, observar como a Economia influencia a vida das pessoas ( sen-timentos e emoções) quando envolve situações econômicas ( comprar, poupar, investir, pagar impostos, presentear, apostar ou como lidam com questões macro-econômicas, como inflação e oscilações da economia, por exemplo), em todas as camadas populacionais.

São várias as linhas de pesquisa (mais de 30) e colocarei aqui algumas que considero mais próximas da Terapia Familiar e de Casal: compor-tamento econômico de crianças e socialização econômica; economia da família; dinheiro e casamento; administração financeira; desemprego; psicologia da pobreza, finanças comportamentais; uso e compreensão da internet pelas crianças; psicologia da dívida; psicologia do dinheiro; psicologia do consumidor; justiça social; consumo infantil; psicologia da poupança e investimento; tomada de decisão; psicologia transcultural e psicologia do trabalho.

Em relação à interface da Psicologia Econômica com a Terapia Familiar, acredito que há importantes possibilidades. Pensando que a toma-da de decisões ( fato freqüente em nossas vidas) envolve valores, crenças e mitos, que se apresentam através dos comportamentos aprendidos na família – seja na de origem ou na extensa, há muito campo para nosso trabalho, uma vez que é impossível negar sua influência no “modus operandi” de uma pessoa frente a escolhas e decisões econômicas – aquelas que envolvem todo tipo de recursos finitos.

Em São Paulo, temos alguns trabalhos pioneiros em nossa área: no NUFAC, PUC-SP, que é de meu conhecimento, duas dissertações de Mestrado, ambas defendidas em 2007. Uma de autoria de Andreza Manfredini : Pais e Filhos: um estudo em educação financeira em famílias na fase de aquisição e outra de Cleide Guimarães : O MEU, O SEU E O NOSSO: O processo de construção conjunta do “Compromisso Finan-ceiro” do casal de dupla carreira em fase de aquisição. Há também sua monografia, em 2003, para conclusão da formação em Terapia Familiar, na PUC/SP: Consumo e Família: influên-cias do consumo nas relações fami-liares. Márcia Volponi , em 1998 apresentou a monografia para a conclusão de curso em Terapia Familiar e Casal na PUC/SP: Quando a mulher faz o cheque. No VII Congresso Brasileiro de Terapia Familiar, apresentei um pôster sobre terapeutas e dinheiro, transformado posteriormente em uma oficina, que foi apresentada na IV Jornada da APTF.

Para encerrar, convido os tera-peutas de família que atuam em umas das áreas acima a mostrarem seu tra-balho , pois considero muito importan-te a integração e ampliação das múltiplas áreas do saber. Aos interes-sados em fazer uma “parceria” com a Psicologia Econômica, além de desejar-lhes boas vindas, deixo transcrita a opinião de Ferreira, op.cit, p. 228,: “A Psicologia Econômica poderia colaborar, com seus conhe-cimentos acerca de como as pessoas e grupos também tomam decisões e se comportam na realidade, o que po-deria, tanto poupar recursos como aumentar as chances destas medidas (de políticas públicas) serem bem sucedidas”.


Valéria Meirelles*
*Psicóloga, Psicoterapeuta, Mestre e Doutoranda em Psicologia Clínica. FERREIRA, Vera Rita de Mello. Psicologia Econômica: origens, modelos e propostas. Tese de Doutorado, Programa de Estudos Pós-Graduados em Psicologia Social, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 2007
 
Paixão e Amor entre Casais
Maria Teresa Andriollo Muzardo*
Quem já viveu uma grande paixão sabe que o coração bate mais rápido, a temperatura do corpo sobe e o estado da consciência fica alterado, com um sentimento de euforia quase que permanente, isto é, fora da linha da realidade, “nas nuvens”. Paixão é brilho no olhar, é frio na barriga, a vida fica mais colorida e agradável, a pessoa sob o efeito da paixão fica até mais bonita e alegre, portanto, a paixão é definida como um sentimento levado a um alto grau de intensidade, sobrepondo-se à lucidez e à razão.

Paixão, esse sentimento avassa-lador acaba geralmente depois de 18 meses para os homens e 36 meses para as mulheres. Pode ser muito menos em alguns casos, depende do investimento, da sensibilidade de cada pessoa, mas elas precisam estar abertas para vivenciarem essa paixão. No final do terceiro ano, em média, as células cerebrais ficam saturadas e não respondem mais como antes, e a paixão acaba.

Uma parte deste mistério já foi explicada pelos cientistas. O estado de euforia da paixão é o resultado de uma poderosa descarga de uma substância produzida pelo próprio organismo, chamada PEA, que é similar a anfetamina, essas substâncias são da mesma família daquelas usadas como moderadores de apetite e vendidos nas farmácias, até os sintomas são parecidos.

Muitas pessoas curtem essas relações de paixão breves e banhadas a anfetaminas, tanto é que já se trans-formou em um fenômeno moderno conhecido como “monogamias sucessivas”. São uniões de casais emocionalmente intensas com absoluta fidelidade, mas que não resiste ao fim da paixão, e são seguidas de outro relacionamento igualmente monogâmico, mas breve. Tanto é que podemos presenciar em nosso meio, separações conjugais com menos de três anos de duração, ou no mundo artístico os casais estão sempre se renovando, nem se casam mais tantas vezes oficialmente de papel passado, simplesmente namoram ou “tem um caso”.

Mas o que fazer quando a paixão acaba? Podemos observar que muitos casais resistem ao final da paixão, continuam juntos e entram no segundo estágio do relacionamento, o do amor, isto é, a ligação afetuosa, em que predomina a dependência mútua e o companheirismo. Amar é apreciar e querer bem o outro, bem como respeitar, valorizar, sentir falta e querer que o outro cresça. O amor envolve ternura, amizade, compaixão, ética e delicadeza, e esta vivência e o seu exercício são trabalhosos e depende do empenho e dedicação constantes de cada um dos parceiros.

Na possibilidade do casal desejar continuar junto, é preciso que ouçam um ao outro, precisam estar em sintonia e existir uma interação, e a paixão vira admiração e respeito pelo outro. O psiquiatra americano John Gottman recomenda três regras para que os relacionamentos sobrevivam depois do fim da paixão: primeiro, os casais devem saber relevar as “picuinhas” da vida em comum. O autor argumenta que existem duas categorias de conflitos conjugais, os que podem ser resolvidos e os permanentes. O segredo da boa convivência está em saber lidar com os que não mudam. Mesmo sem gostar desses problemas, é possível conviver com eles. Em segundo lugar, é imprescindível que o casal esteja disposto a conhecer profundamente um ao outro. É necessário saber sair da fase da paixão e encarar a realidade, Em terceiro lugar homens e mulheres devem aprender a compartilhar e estar dispostos a responder melhor às solicitações dos parceiros, explica Gottman.

Este estudo é muito importante para compreendermos melhor sistemi-camente a realidade e etapas da química da paixão. Mas a regra número l do casamento satisfatório é não exagerar nas expectativas. Quanto maior a expectativa, maior a dificuldade de superar a frustração.

Maria Teresa Andriollo Muzardo*
* Psicóloga, terapeuta de casaís e família
 
A APTF tem espaço para as diversas
Maria Luiza Dias Garcia*
Recentemente recebi uma ligação telefônica de uma psicanalista que havia descoberto a existência do curso de formação em “Terapia de Casal e Família – abordagem psicanalítica” promovido pela Clínica LAÇOS. Dizia-se interessada na proposta do curso e que gostaria de iniciar uma aproximação com nosso Centro de Estudos como docente. Desferiu o seguinte comentário: “A APTF não é muito aberta a psicanalistas!”.

Creio que essa visão não é de porte particular somente dessa terapeuta, pois confesso que mesmo eu não participei mais ativamente das atividades da APTF anteriormente, por partilhar da impressão de que a Associação agregava somente mem-bros representantes das abordagens sistêmicas. Lembro-me que no “I Congresso de Terapia Familiar” em 1994, em reunião na qual se discutia o nome a ser dado à Associação (atual ABRATEF), um terapeuta chegou a sugerir “Associação Brasileira de Terapia Familiar Sistêmica”.

Não entendo o porquê, porém, mesmo sendo vítimas dessa visão, os terapeutas de outras abordagens não puderam se fazer presentes com alguma representação dentro da APTF.

Acredito que essa visão decorre do modo como a abordagem sistêmica foi introduzida no Brasil, com grande força e difusão. A Terapia de Família introduziu-se entre nós mais nitidamente a partir da década de 70, trazendo um novo modo de pensar a família. Observei em pesquisa realizada (DIAS, 2006), que a família brasileira sofria, na ocasião, grandes transformações com a legalização do divórcio e se perguntava como lidar com os dilemas decorrentes das novas relações que se instauraram. Os consultórios e as clínicas de universi-dades apareceram como um espaço que podia dar conta de acolher essas experiências, já que a Igreja, ao não aprovar o divórcio, diminuía sua influência sobre o grupo doméstico e perdia parte de seu raio de ação para os terapeutas que começaram a responder à necessidade de ressignificar as novas experiências vividas pela família moderna.

A exigência de “reorganização” do grupo familiar em meio às rápidas transformações ocorridas a partir da década de 70 (cabe lembrar que a legalização do divórcio ocorreu em 1977) parece ter oferecido o terreno fértil para a entrada da teoria sistêmica no Brasil. É justamente na década de 70 que a Psicanálise encontra-se em efervescência no país, alguns falavam em “boom” psicanalítico, sendo que seu caráter normativo foi também questionado, nesta mesma época, por autores como Michel Foucault (1979) e Robert Castel (1978). Con-trapondo-se à Psicanálise da época, a teoria sistêmica encontra grande espaço entre nós, apresentando-se como uma terapia com base em novo paradigma – o sintoma passou a ser visto como expressão grupal e não de responsabilidade única do paciente individual.

Ora, tal como a abordagem sistêmica não é mais a iniciada em Palo Alto, a psicanálise também não é mais somente a de abordagem individual, tendo desenvolvido uma produção valiosa voltada à teoria e técnica de terapia de grupo e, também, de grupo familiar. Faz-se necessário abando-narmos a luta concorrencial instaurada no campo da Terapia Familiar em nosso país e entendermos que esse campo pode agregar trabalhos significativos oriundos de diversas abordagens. Penso que a APTF pode e deve agregar a diversidade teórica e prática presentes entre os terapeutas de família e convida a todos para participar de suas atividades.

Em 2006, respondi a um convite da APTF para participar das reuniões que visavam organizar a “IV Jornada Paulista de Terapia Familiar – O Desafio do Amor: questão de sobrevivência”. Quase que aciden-talmente, fui incluída nas atividades, pois respondi informando que não poderia estar naquela primeira data e aí veio novo e.mail dizendo que me esperavam na próxima. Parece que fizeram questão da minha presença, de ter mais um sócio em trabalho. Tão automaticamente incluída, organizei-me e estava na reunião seguinte. Surpreendi-me ao encontrar um grupo extremamente acolhedor, inteligente, trabalhador e determinado com seus ideais, coordenado por Gilda Maria Castanho Franco Montoro, nossa Presidente, tão dedicada ao desenvolvimento dos projetos da APTF e com um estilo de trabalho com o qual me encantei. A maior comprovação disso é que convidada a participar das atividades no ano seguinte, pude acompanhar a excelente desenvoltura da equipe e os nítidos benefícios trazidos à nossa Associação e à comunidade de terapeutas e seus clientes.

Neste momento, meu próprio convite. Venham participar! Nesse grupo cabem todas as abordagens. É só acompanhar os encontros “A Informação vem da Diferença”, que realizou em 01 de março o seu terceiro evento e incluiu convidados de diferentes abordagens para difusão de conhecimento e debate. Estimulem a adesão de colegas à APTF, que tanto está crescendo e que, nesse 2008, irá expandir seu alcance por meio do GT AmpliAR, que é um grupo de trabalho (para estudo, troca e divulgação) para sócios da APTF, que pretende ampliar ações e redes que promovam projetos sociais e comunitários para famílias de baixa renda e/ou em vulnerabilidade psicossocial e também divulgar essas ações e redes com a organização do Simpósio Ampliando ações e redes em contextos de vulnerabilidade psicossocial e Workshop com Lia Sanicola Trabalho em rede: Desafio, Criatividade e Método, em 12, 13 e 14 de junho deste ano que dará visibilidade à eficiência e efetividade dos resultados.

Esperamos você lá!



Bibliografia: Castel, R. O psicanalismo. Rio de Janeiro: Graal, 1978.

Dias, M. L. Famílias & Terapeutas: casamento, divórcio e parentesco. São Paulo: Vetor, 2006.

Foucault, M. O poder e a norma. In: Katz, C. S. (Org.). Psicanálise, poder e desejo. Rio de Janeiro: Ibrapsi, 1979.

Maria Luiza Dias Garcia*
* Psicóloga, doutora em Antropologia, psi-coterapeuta de casal e família, coord. da “LAÇOS – Núcleo de Estudos e Reciclagem da Família” e de seu curso de especialização em abordagem psicanalítica.
 
Acontece na APTF
Rede de Atendimento Voluntário - RAV
Maria Genoveva Armelin*
Caros colegas, estamos iniciando o ano 2008 e, como coordenadora da “RAV”, gostaria de lhes contar um pouco sobre essa “Rede de Atendimento Voluntário”.

Contamos com uma equipe de Terapeutas Familiares, que prestam atendimentos em seus próprios consultórios, situados em diferentes bairros de São Paulo, para facilitar aos pacientes. Todas famílias que se dispõem ao tratamento são recebidas, o que consideramos ser um bom funcionamento da equipe.

Gostaria de saudar com um abraço cordial, todas as colegas que fazem parte dessa equipe: Zélia Temim, Eliana L.Chaves, Maria Cecília Barbas, Jussara Carnevalli, Marília L. Pereira, Ângela Herrera, Aimée Grecco,Valéria Meirelles, Beatriz Athie, Liz Verônica, Sylvia Van Enk Meira, Lina Sobral, Paula Ayub e Marisa Masetti e, que sempre foram extremamente acolhedoras com as famílias encaminhadas pela RAV.

Espero contar novamente, nesse ano, com a participação de vocês e de outros colegas que estiverem interessados em fazer parte dessa equipe.

Maria Genoveva Armelin*
* Coordenadora da RAV
 
Grupo de Estudos e Prevenção da Violência Doméstica
Maria Rita D´Angelo Seixas*
O GEV foi criado em outubro de 2006 e nesses anos de ação nosso grupo cresceu e ampliou suas metas. Sentimos a necessidade de elaborar um plano de ação que explicitasse novos objetivos e metodologia de ação. Como o GEV trabalha em rede com as Instituições a que pertencem os nossos associados, julgamos que seria importante compartilhar a evolução de nossos trabalhos. Ao longo de nossas atividades, sentimos que seria necessário acrescentar a apalavra prevenção ao nosso nome, uma vez que as medidas preventivas ligadas a violência são de suma importância para atingirmos os nossos objetivos. Futuramente o plano será passado na integra para conhecimento de todos. Por ora apresentaremos apenas um resumo.

Programa de ação do GEV

Justificativa

O GEV foi criado em decorrência da necessidade de se aprofundar o estudo, a pesquisa e o atendimento clínico na área de violência doméstica face às evidências de um grande número de famílias que são vítimas deste tipo de violência no Brasil.

Nosso trabalho é todo baseado na concepção sistêmica de universo e família e utilizamos para atingir nossos objetivos, diferentes técnicas e abordagens de terapia familiar respeitando a pluralidade de nossas instituições e as necessidades dos usuários.

Em 2007 foi realizada uma pesquisa pelo Data Senado através de 797 entrevistas, por telefone, com mulheres maiores de 16 anos, em todas as capitais brasileiras no período de 1 a 15 de fevereiro de 2007. O resultado foi a constatação que em cada 100 mulheres brasileiras 15 vivem ou já viveram algum tipo de violência doméstica.

Estes dados e a falta de uma estrutura social multiprofissional no Brasil que garanta apoio e proteção a estas famílias justificam a necessidade do trabalho do GEV , para estabelecer uma rede de parcerias e um plano integrador para o atendimento das mesmas.

A violência doméstica é reconhecida como questão de saúde pública com grande efeito negativo sobre o bem estar psíquico, físico e social e se coloca como obstáculo para uma sociedade mais justa e igualitária e solidária. O ideal seria a prevenção dos “maus tratos”. Hoje podemos identificar no pré-natal e no puerpério, mães que por se demonstrarem rejeitadoras são de “alto risco” para a prática de maus tratos. Bebes de alto risco são propensos a serem maltratados, tais como - prematuros, deficientes, não dormem a noite, choram muito ou que são hiperativos. A estas mães a orientação preventiva sobre maus tratos deve ser efetivada por profissionais especialistas em terapia familiar.

A violência não é um fenômeno natural, é construído e perpetuado através das gerações. As crianças e adolescentes submetidas à violência intrafamiliar podem reproduzir esse padrão interacional nos diversos relacionamentos. A violência afeta a todos que de alguma forma, se envol-vem com ela e os profissionais de saúde não são exceção. O contato com situações de sofrimento e risco, a insegurança e os questionamentos que desperta bem como a impotência em obter soluções imediatas, exige um tempo de auto dedicação para a proteção e alivio de tensões. Por este motivo, é preciso criar oportunidades sistemáticas de discussão, sensibilização e capacitação que proporcionem um respaldo à equipe para expor e trabalhar seus sentimentos e reações.

A violência doméstica traz um efeito econômico negativo para a sociedade, na medida em que as vítimas física e psicologicamente afetadas se tornam incapacitadas ou mesmo paralisadas, para exercer integralmente o seu papel de agente econômico na contribuição do produto interno bruto do país. De acordo com estimativa do Banco Interamericano de Desenvolvimento o custo total da violência doméstica oscila entre 1,6% e 2% do PIB de um país.

Sabemos que entre as famílias menos favorecidas, o Estado não garante as condições mínimas de sobrevivência e, ao mesmo tempo, cobra dos pais a obrigação de proverem seus filhos sob pena até de retirá-los do seu convívio, ou de puni-los, pelo seu descuido. O Estatuto da Criança e do Adolescente (lei no. 8.069 de 13/07/1990), existente há 17 anos, a muito confere às famílias brasileiras o direito a “convivência familiar e comunitária”, direito esse que, na nossa sociedade, ainda não encontrou condições de tornar-se realidade.

No caminho da implantação de políticas de atendimento familiar, parece-nos importante oferecer às famílias novas alternativas para o seu desenvolvimento através de terapia familiar. Consideramos que é desse modo que os membros das famílias terão condições de descobrir suas potencialidades e suas características específicas de grupo de convivência, gerando formas mais criativas de expressão e participação na socie-dade em que vivem. Pretende-se que o Estado entre na “Família” como colaborador que apóia o grupo familiar, e como dinamizador que oferece ou compartilha recursos. Uma forma disto acontecer seria possibilitar a contratação de terapeutas de família nos órgãos públicos de saúde ligados à violência doméstica ou financiar capacitações em terapia familiar para seus funcionários.

Outra forma seria fazer cumprir os instrumentos legais que já existem como a Lei Maria da Penha para defesa da mulher e o Estatuto de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente; que define os direitos dos mesmos e também as normas de conduta dos profissionais de saúde, “tornando obrigatória a notificação de maus tratos” (artigos 13 e 245).

Infelizmente, estes instrumentos legais não são acompanhados de normas técnicas e éticas que facilitem aos profissionais de saúde a sua observância. A nosso ver, aí entra o terapeuta familiar para trabalhar com a construção de uma rede de atendimento à violência, que garanta a proteção e esclarecimento, tanto para os profissionais quanto para as famílias.

A experiência, em relação ao atendimento a crianças e adolescentes que sofrem maus tratos indica a necessidade de um acompanhamento psicoterápico não só da família em contexto de violência, mas também dos autores de agressão familiar e dos profissionais que as cuidam, que o GEV pode oferecer em forma de terapia familiar, consultoria, supervisão e capacitação.

Entender a violência doméstica implica ampliar o olhar sobre a família, compreendendo que este é um fenômeno complexo, envolvendo questões internas a própria família (interações entre seus membros) e a relação desta com o contexto mais amplo, social, cultural, econômico, político e que para combatê-la precisamos trabalhar em rede. Poucos são os terapeutas de família que participam destas redes. O GEV procurando integrar programas estatais busca sua inserção.

Objetivos

O GEV possui as seguintes metas:

• Estudo e aperfeiçoamento de seus próprios membros em violência doméstica

• Formação de consultores aptos ao trabalho com violência doméstica

• Fortalecimento da nossa rede interna de atendimento à violência doméstica, estabelecendo contatos esclarecedores junto às entidades da APTF, colaboradoras de nosso programa.

• Construção e comunicação de novos parâmetros relacionais sociais e familiares através de palestras, seminários, workshops e vivências.

• Distribuição das famílias com violência doméstica que buscarem atendimento clínico, pelas entidades de terapia familiar integrantes da APTF.

• Prestar atendimento psico-terápico aos autores de agressão, para interromper o ciclo agressivo.

• Realizar trabalho preventivo com mães de “alto risco” (rejeitadoras durante a gravidez).

• Capacitação das diferentes áreas profissionais, tais como terapeutas familiares, pediatras, assistentes sociais, ginecologistas, ortopedistas, professores, policiais, enfermeiros, juristas, etc. para o atendimento e cuidado às vitimas de violência doméstica.

• Levantamento dos aten-dimentos e cuidados às vítimas de violência doméstica, tendo como meta viabilizar a constituição de uma rede com estrutura adequada para facilitar o encaminhamento das vítimas.

Maria Rita D´Angelo Seixas*
* Coordenadora do GEV - Grupo de Estudos e Prevenção à Violência
 
A informação fez uma grande diferença...para mim.
Marisa Micheloti*
Prazer em conhecê-los!

Como uma recém chegada a Associação Paulista de Terapia Familiar sinto-me muito lisonjeada em poder compartilhar com vocês a respeito da minha experiência nos encontros que participei promovidos pela APTF. Como sócia aspirante e aluna do Sistemas Humanos, há tempos tenho participado de alguns encontros preocupados em oferecer um enriquecimento aos profissionais cuidadores de famílias. Entre outros, um grande presente foi eu ter participado dos três eventos "A informação vem da diferença ...1,2 e 3" que aconteceram no CEAF.

Penso que quando escolhemos uma linha de trabalho profissional nos debruçamos diante de uma dedicação quase exclusiva sobre essa corrente filosófica querendo conhecê-la em seus mínimos detalhes. Dessa forma, fazemos uma escolha pessoal e profissional e em muitos momentos precisamos abandonar outros olhares para que possamos nos especializar em pensadores voltados ao nosso foco. Sem dúvida, essa maneira de cuidar de nossos estudos nos permite um enriquecimento e uma especia-lização e eu valorizo esse caminho, mas muitas vezes nos cria uma "blindagem" para outros pensadores que nos rodeiam.

"A informação vem da diferença...1, 2 e 3" foram eventos que nos trouxeram oportunidades de ouvir pela voz de grandes especialistas algumas linhas teóricas, que para alguns pareciam íntimas, para outros distante e para outros ocupavam o lugar do desconhecido. Fomos convidados a ouvir várias explanações teóricas e a visitar questões que desafiam os terapeutas em quaisquer abordagens. A idéia principal que sustentava o evento era de haver a troca.

Os três momentos pareceram-me enriquecedores e recordo-me de alguns recortes que me ficaram mais marcados como: a delicadeza do Dr. Nairo ao abordar uma visão Junguiana aos casais; a ênfase da teoria psicanalítica da Ieda Porchat; a competência da Marilena Grandesso sobre o construcionismo social; a sutileza do lindo atendimento das terapeutas Neyde e Naira; as possibilidades criativas da Regina e M. Amália juntamente com a firmeza da Maria Rita em uma abordagem psicodramática; a objetividade do atendimento da terapeuta transacional Monica Levi e por fim, a clareza teórica movida por uma preocupação em acolher a platéia nas possíveis dúvidas, dos professores do Sistemas Humanos Janice, Marcos e Sandra.

Aliar diferentes reflexões e abor-dagens sobre famílias permitiu-nos rever ou até conhecer profissionais, em um campo bastante afetuoso e acolhedor, que contribuiram para a ampliação das lentes que direcionam

nossos olhares. Sem dúvida esse exercício todo faz parte de uma grande chance de trabalhar a flexibilidade do terapeuta de família que acolhe em seus atendimentos, famílias formadas por indivíduos com olhares e sentimentos tão distintos.

Acredito que nosso maior ganho foi perceber que esses eventos propor-cionaram um convite para nos aproximarmos de outras fronteiras e refletir sobre possibilidades de nos aquecermos para encontros que nos possibilitam a criação.

Marisa Micheloti*
*Psicóloga, psicodrmatista, terapeuta de casais, aluna do Sistemas Humanos
 
Espaço Cultural
No deserto de Itabira (Conversa com a “Viagem na Família” de Drummond)
Denise Mendes Gomes*
No deserto de Itabira,

Quantos silêncios...

Há uma solidão que não sei onde se esconde,

Uma ausência que se desfaz ausente,

Areia e pó a valsar nos cantos

Como reminiscências de outros ventos.



No deserto de Itabira

Desfaleço em meu suor

Escorrendo do rosto, como lágrimas,

Sob o sol escaldante

Que o mar de histórias me lança.



No deserto de Itabira

Minha infância me faz visita

Brincando de esconder e de achar

No jogo de claro e escuro

Que aos olhos parece miragem

Mas que as entranhas identificam

Como película de familiaridade.

O deserto de Itabira

Corrói o coração menino

Enferrujando o sangue que pulsa.

As veias conduzindo o irrisório riacho,

Já minguando em sua secura,

Entre as pedras que anunciariam a queda.



Ainda viva, a sombra de meu pai.

Caminha a meu lado,

mais companheira do que nunca,

como a despertar-me de sonhos esquecidos.

Não sei como pude me distrair



E conduzir meus passos olvidando-a.

Ainda viva, a sombra de meu pai

Cobre como véu minha própria imagem

De timbres, sinuosidades, ocasos.

Diáfora, segue repetindo, somando novos sentidos;

Diáfise, marca os contornos, distinguindo;

Diáfana, deixa da luz passar o que ilumina.



O tempo perdido

É um tempo que não se perde nunca.

Seu retorno insistente é o que nos ofusca

Contrariando nosso desejo de um devir.

Entre o dia e a noite,

propaga-se nas madrugadas que não adormecem.



O tempo perdido

Enche o peito de voracidade

Querendo engolir os próprios filhos do silêncio.

As asas se abrem em vôo mostrando sua sombra

Que rasteja no húmus para fecundar o solo.

O tempo perdido

Pesa uma tonelada

Quando perpetua o seqüestro de um desejo.

Arma ciladas tornando cegos e surdos

Os que são ávidos de ensejos.

O tempo perdido

Pode morrer.

Sua lápide conterá as flores e os dizeres

que anunciam um novo tempo.



Pois, as lembranças permanecem,

Enchem os olhos de sua verdade

Sem jamais renunciar.

Carregadas em seus tons pastéis

Ou em tonalidades sombrias

Têm o costume de imortalizar.



Pior que não ser dito

É não poder dizer.

A criança muitas vezes não pode escapar

Às dores do corpo e da alma que lhe infringem.

Esta criança espreitava os gestos

Violentos, rudes e imorais

Que desejou exterminar

Sem dizer uma só palavra.



Desejaria, uma só vez, atravessar

Sem estribeiras aquelas circunstâncias

Transmutando os ponteiros e

Regulando os amores

Para que as roupas e os papéis

Se cercassem de pudores.

Mas, o ar se torna rarefeito.

Uma dor apunhala novamente o peito,

Os segredos e as impunidades vividas no leito,

Estase reeditada neste parapeito

Cuja entrada parece não se converter

E o destino ameaça em se perverter.



“De que terão valido tantos sacrifícios?”,

É a pergunta que teima em dizer a seus recordos.

Dor em variados invólucros,

Doses, intensidades.

Dor em graus de consciência e inconsciência.

Dor em diferentes partes do corpo físico

E do corpo erógeno, desejante.



E o que dizer da força que os conduziu a tais encruzilhadas

Que do momento insólito nascia o poeta?

Qual a coragem do pai que enlevou seu nome

Sendo o homem necessário a seu drama,

Na corrente que traía as antigas bandeiras

Desbravadoras cruéis numa terra ainda sem nome?



Parricídio, eis o nome necessário.

Do menino que se torna homem

Um sonho de futuro figurando no espaço infindo

A luta do antigo e do vindouro dentro de si

Já não podendo suportar o peso

dos antepassados.



A tragédia sempre esteve ali.

E sempre há de lhe acompanhar,

Seja na forma de sombra, de pegadas ou

De sua imagem no espelho.

Inescapável como o ar.



Das maiores às mais sutis,

Cada uma recusando redenção,

Ardendo na pele como queimadura a ferro,

No estômago como fome insaciável,

No âmago do ser como ofensa imperdoável.



Fala, fala, fala, fala

o poeta, sem cessar, sua fala mansa.

Cobrindo de amor cada mágoa,

Acarinhando de beleza cada chaga,

Abrindo caminho com a enxada

Na corredeira das mesmas águas.



Entranhar-se passa a ser condição,

Que teu pai ainda guarda um abraço,

Que teus braços ainda aguardam.

Que os sinos anunciarão na igreja

Mesmo que ninguém os veja,

Anjos e arcanjos vertendo flores de perdão.

Que por mais que doam as bofetadas,

Por mais que humilhe o alimento negado,

Por mais que desonre o amor desmembrado,

Por mais que envergonhe a solidão abandonada,

Há brasas que mantêm a chama acesa

De um amor que cavalga acima das nuvens.



O mar do sangue que compartilhamos

Flui e revela o que se mantém o mesmo no outro.

Filho de peixe não pita seu cigarro,

Mergulha em águas mais profundas.



Mas, o tempo que revela

Nunca se atrasa,

Jamais se adianta.

Sabedor das tristezas que apavoram os homens

Prepara a ceia para sua chegada,

Quando visões e vislumbres encherão a boca de novos sabores

Preparando o coração para o encontro.



E, só então, nos conhecermos!

Denise Mendes Gomes*
*Psicóloga, doutora em Psicologia Social, Formadora do Sistemas Humanos, Membro do Laboratório de Estudos em Psicanálise e Psicologia Social, membro do Laboratório de Psicologia e Senso Religioso, pesquisa-dora no Projeto Quixote.
 
Espaço Cultural
Minha criança chora
Mercedes Serafim Canassa*
A minha criança chora.

Acordou assim.

Os olhos tristes,

A face desfalecida.

O corpo pesado, cansado,

Não querendo sair da cama.



As flores do lençol que

Acolheu seu corpo, ao anoitecer,

Estão murchas, quietas.



A suave brisa matutina

Brincando com o vento,

Entra no quarto, pela janela,

Procurando dar-lhes vida.



Mas elas não se movimentam,

Parecem solidárias com a dor

Que faz a minha criança chorar.



E ela chora, quietinha.

Sua posição lembra um feto,

Sem teto, sem barriga

Para ficar o tempo que precisa.



Abandono e dor.

É assim que percebo seu choro.

Não me assusto.

Posso ouvir seu lamento

Como se fosse o barulho

Do vento que

Não tem para onde ir.



Encurralado, fica indo e

Voltando no corredor da morte,

Até consumir-se,

Transformar-se em bolhas de ar

Subindo aos céus, perdendo-se

Na imensidão do Universo.



A minha criança mexe os pezinhos,

Tocando-os com as mãos.

Agora, levanta o tronco e

Senta-se sobre as pernas flexionadas.



Olha para o alto,

Junta as mãozinhas

Como se fosse fazer

Uma prece.



Curva o corpo para a frente

Parecendo dormir sobre si mesma...

E chora,

Respirando profundamente,

A dor que não encontra

Um lugar.

Mercedes Serafim Canassa*
*Especialista em psicoterapia de casal e família - Marília-SP
 
Espaço Cultural
Ano Novo... Família Nova
Neli Henriques Caccozzi de Souza*
Rubem Alves em seu jeito simples, e mágico de escrever conta à estória do Dragão da maldade, o famoso Dragão de São Jorge, que foi condenado por uma bruxa malvada a passar a sua vida lutando com ele, pois este na verdade era sua amada, e o dilema se estabeleceu.

A promessa da bruxa era quando você matar o Dragão sua amada renasce, mas.... quem é louco de confiar na promessa de uma bruxa e assim São Jorge passou séculos lutando......porem alguns Deuses se compadeceram dele e então quando São Jorge se preparava para mais um dia se armando de escudo, lança,ele encontra no lugar do Dragão sua Amada,uau que surpresa!!!!!!

Os Deuses esperavam ansiosos sua reação, mas......o pobre São Jorge ficou impactado e nada conseguiu fazer, não se aproximou, não abraçou, não beijou, nada falou, apenas suplicou aos deuses que trans-formassem novamente sua amada em um Dragão, pois já havia se acostumado a lutar, e agora não sabia lidar com as coisas do amor.

Triste estória esta, mas ela se repete com muita freqüência em nossas relações mais próximas, a constante formação e a repetição dos pro-blemas, como se estivéssemos presos a um feitiço sem fim.

Estamos entrando na lua cheia e é fácil visualizarmos nosso Herói lá tão longe, na sua infinita luta, podemos aprender o segredo e a origem de nossas repetições e ao contrario da fábula encarar mudanças... A hora é propicia para isto, afinal começamos um novo ano, compreender nossas possibilidades de estabelecer mu-danças necessárias ao momento que vivemos na família, ou no contexto social, torna possível a harmonização das diferentes visões de mundo de cada família e de cada um nas suas respectivas famílias.

Nossas “velhas famílias” podem estar precisando deixar a armadura, a lança e o escudo, e aprender a arte do dialogo.

Neli Henriques Caccozzi de Souza*
* Assistente Social; Terapeuta de Família e Casal; Esp. em Terapia Comunitária e coord. pedagógica do curso de formação de Terapia Familiar da Parceria ASSESSO-Esc. de Sociodrama Familiar Sistêmico-SP
 
Cantinho da ABRATEF
Luiz Carlos Prado
COLEGAS!

Estamos nos aproximando da data de nosso VIII Congresso Brasileiro de Terapia Familiar, em Gramado, de 20 a 24 de agosto de 2008. Devido à solicitação de muitos colegas, decidimos estender o prazo para a inscrição de trabalhos.

A nova data será: 30 de março!

Não deixem de preparar seus resumos e enviar através de nosso site ou para sua Regional, por e-mail, caso se trate de trabalho para mesa-redonda.

A Equipe Organizadora do Congresso tem se empenhado bastante em preparar um encontro que seja, além de uma oportunidade de atualização profissional, também momento de convívio prazeiroso e enriquecedor com colegas de todo o Brasil. Gramado é uma cidade linda e muito aconchegante, própria para os dias frios do inverno.

Lembrem que não haverá feriadões no segundo semestre deste ano: quem sabe tragam seus familiares para que desfrutem das belezas da Região Serrana e dos muitos passeios turísticos organizados para os acompanhantes? Para os apaixonados por arte, lembramos que no final de semana anterior ao do Congresso estará se realizando o Festival de Cinema de Gramado, um dos mais importantes do país.

Reservem seu Hotel com antecedência, pois Gramado é uma cidade turística muito procurada, especialmente nesse período de inverno, onde a natureza mostra todos os seus encantos e as lareiras acesas, os chocolates quentes e os fondues são um convite sedutor a todos que a visitam.

Um abraço carinhoso e até Gramado!

Para informações e inscrição no Congresso acesse o site: www.abratef.org.br

Para alguma dúvida sobre sua inscrição ou envio de resumos através do site do Congresso, ligue para:

ADD - Agência de Design Digital

(51) 3388.1433 ou pelo e-mail: add@add-digital.com.br

Luiz Carlos Prado
Presidente do VIII Congresso Brasileiro de Terapia Familiar
 
Vozes dos Associados
Os cumprimentos enviados dizem respeito à conquista do Certificado de Utilidade Pública Federal pela APTF e a organização do Grupo AmpliAR.
Parabéns, APTF!

Parabéns Gilda, Nair e Ruy, pela diferença que estão fazendo na APTF. Sucesso sempre,

Valéria Meirelles

São Paulo/SP



Querida Gilda e equipe

Que boa noticia!!! Que eficiencia desta equipe. Parabens!!! Beijos

Marilia de Freitas Pereira

São Paulo/SP



Parabéns!!!

Um abraço especial para Nair e Ruy.

Célia Bernardes

São Paulo/SP



Parabens Gilda e toda equipe APTF

Abraços de

Ana Maria e grupo F&Z

São Paulo/SP



Parabéns pela merecida conquista!

Que tenham muito sucesso em todas as empreitadas!

Grande abraço

Rosilda Abu-Izze

São Paulo/SP



Excelente iniciativa! Pena ser tão distante. Sugiro a reunião seja itinerante. São Paulo é um caos!!! Coloco meu consultório como uma das diferentes filiais.

Beijos agradecidos e orgulhosos pelo encaminhamento.

Rosana Galina

São Paulo/SP



Parabens pelo certificado e pelo trabalho da equipe. Fico grata e lisongeada por pertencer a este grupo esforçado e querido. Abraços.

Wanda Rogeria

São Paulo/SP



Parabéns por essa vitória importante!

Ceneide Cerveny

São Paulo/SP



Gilda

Parabéns por mais esta conquista

Maria Rita D´Angelo Seixas

São Paulo/SP



Prezada amiga Gilda e membros da diretoria da APTF,

Parabéns por mais essa conquista. Sou grata pelo empenho e dedicação com que cuidam de nossa entidade.

Abraço a todos,

Adriana Mattos Fráguas

São Paulo/SP



Prezada Gilda,

Este é, de fato, um momento de avanço de nossa Associação em sua identidade jurídica. É uma significativa ampliação de espaço para a continuidade do trato com o bem comum, a família e a sociedade.

Parabéns à Diretoria, em especial aos colegas que, diretamente, se empenharam para a obtenção do Certificado!

Com um abraço grande,

Verônica A. M. Cezar-Ferreira

São Paulo/SP


 
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